ENTREVISTA -IVAN ALBANO
Segundo melhor brasileiro no Ironman de Floripa conta como foi sua prova
Fotos: Arquivo pessoal do atleta
O triatleta paulista Ivan Albano foi o segundo melhor brasileiro na última edição do Ironman Brasil, disputado em Florianópolis no mês de maio. A conquista de Albano foi um exemplo de raça e de superação da dor. Uma fratura por estresse no pé a poucos dias da prova quase o tirou da competição.
Bikemagazine – Como você se define?
Ivan Albano – Como uma pessoa muito determinada, persistente, que luta pelos seus objetivos e pratica o triathlon com muito amor.
BM – Se você não tivesse fraturado o pé (por estresse) a 47 dias da prova, você acha ue seu resultado teria sido ainda melhor?
IA – Isso é realmente difícil de prever, mas acredito que o processo de stress que sofri emocionalmente, pelo fato de não poder ter corrido no asfalto no período de treinamento antes do Ironman, abalou um pouco minha confiança no dia da prova. Meu plano era correr uma maratona sólida no tempo de 2h55min em condições normais. Acredito que com todas essas adversidades eu ainda consegui fazer uma prova boa no geral.
BM – Você pedalou os primeiros 90 km do ciclismo em 2h10min. Você sempre foi forte na bike?
IA – Realmente os primeiros 90 km do ciclismo foram muito fortes, mas sabia perfeitamente o que estava fazendo e os riscos que eu estava correndo. Sempre fui um fanático por ciclismo e tenho nessa modalidade meu ponto de maior conforto, mas o triathlon não se resume somente no ciclismo e sim no conjunto forte das três modalidades e é isso que venho fazendo, trabalhando meu ponto forte e melhorando minhas deficiências.
BM – De onde saíram forças para suportar e vencer a dor na maratona?
IA – Sem dúvida, depois do km 27 da maratona a dor começou a me atormentar, mas, naquele momento, eu sabia que tinha que me concentrar muito, pois me dediquei para estar lá e precisava pôr em prática todo o treinamento e superar todas as dificuldades, além do que, estava fazendo o que eu mais amo. Procurei também pensar no esforço de todas as pessoas e profissionais que acreditam em meu trabalho.
BM – E agora, como está o pé?
IA – Depois do Ironman tirei um outro raio-X e a fratura estava bastante em evidência, fiquei aproximadamente mais 20 dias sem correr e no dia 29 de junho eu competi na segunda etapa do circuito de Long Distance, em Ubatuba, e fui quarto colocado. Senti-me um pouco lento pelo desgaste do Ironman, mas acho que o meu pé agora está ficando 100%.
BM – Você não é um triatleta que dedica seu tempo integralmente ao esporte e mesmo assim é único brasileiro com quatro resultados top ten no Ironman Brasil. Com resultados tão bons, por que você não tem um patrocinador que custeie integralmente sua carreira profissional?
IA – Realmente, a falta de apoio e reconhecimento é um obstáculo para um esporte que o povo não tem como cultura. Tenho alguns apoios e incentivadores que me ajudam para eu manter meu sonho vivo, mas realmente para algo um pouco mais sério o reconhecimento e incentivo financeiro deixam bastante a desejar. Mas, como tenho esse espírito de sempre buscar o que quero, não irei desistir nunca, mesmo que eu tente minha vida inteira.
BM – Na sua região, onde você costuma pedalar?
IA – Eu moro na cidade de Mogi Mirim, no interior de São Paulo, e aqui sou muito privilegiado por ter várias estradas muito boas para a prática do ciclismo. Saio de casa e em cinco minutos estou na estrada. Isso é bem legal e eu procuro aproveitar ao máximo essa vantagem treinando muito.
BM – Quantas horas você treina por semana em média?
IA – Treino aproximadamente 35 horas semanais, isso em quilometragem equivale a mais ou menos 20 km de natação, 500 km de ciclismo e 110 km de corrida.
BM – Já disputou o Ironman do Havaí?
IA – Sim, já estive no Campeonato mundial do Havaí por cinco vezes e realmente esse é o ponto máximo do Ironman. O Havaí é muito mágico e diferente de todos os Ironmans do mundo, é sempre um privilégio e um aprendizado a mais poder competir lá.
BM – Para Floripa, qual o treino mais longo de bike que você fez?
IA – Fiz um treino de aproximadamente 250 km de ciclismo com muitas subidas de montanha, simplesmente acordei e pedalei quase o dia inteiro.
BM – Qual o seu maior sonho dentro do esporte?
IA – Meu maior sonho é de estar no lugar mais alto do pódio em um Ironman dentro ou fora do meu país.
BM – Tem treinador? Quem é?
IA – Faço parte da RM Consultoria Esportiva e minha treinadora é a Rosana Merino, de Campinas, SP. Além de já ter sido uma excelente atleta, ela é realmente muito especial e sabe como poucos entender e lidar com um atleta.
BM – Você gosta de triathlon olímpico?
IA – Adoro o triathlon olímpico. Eu comecei no short triathlon mas migrei rapidamente para o olímpico. Como triatleta Junior, representei o Brasil nos campeonatos mundias da Nova Zelândia, México e Estados Unidos, além de muitas etapas em vários estados do Brasil.
Sempre que posso entro nas provas olímpicas para trabalhar minha velocidade e ritmo de competição.
BM – Quais atletas de Ironman que você admira?
IA – Admiro muito o Mark Allen pela sua consistência e pelo seu poder de concentração.
BM – Como você consegue conciliar família, trabalho e treinamentos árduos e extensos?
IA – Procuro, sempre que posso, viver uma vida normal. Quando não estou competindo ou treinando, tenho uma pessoa do meu lado que é minha esposa Malú. Ela entende como poucos e respeita o meu trabalho e isso para mim já é o suficiente.
BM – Quais são seus patrocinadores e apoiadores?
IA – Meus patrocinadores são a RM Consultoria Esportiva e a Ellan Mobiliários Técnicos. Tenho apoio da Gu Energy Gel e Gu Sports Drink, Clube Mogiano, Rallybrasil ,Ile fit wear, Ótica Real, Via Bike, Companhia Atlética, Nutricionista Ligia Valim, Juca, Cassius de Oliveira e Pedro Ribeiro.